- 28 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de out. de 2025
Meu nome é um caminho

I.
Por aqui, os dias correm, os dias param, remansam, margeiam.os dias ainda se sentam na calçada. todo dia o sol.com noites em seus meios (e é meio noite, porque é cidade) e vento bastante uma criança quando os ossos crescem o olhar da montanha arrepio da coluna quantas vértebras brincar reinventa a sensação como a cada sonho
II.
é festa!
temos nomes
nossos nomes são caminhos
caminhos que a criança percorreu
encontrou mistérios, inventou outros
deixou pra trás, achamos em tempo
no que podemos chamar de começo desse canto de mundo
mãos transmasculinas
gesticulam
profecias travestis
gestadas
num tempo que não se pode contar
materializa-se
III.
transcestralidade trança a realidade e já somos nós ancestrais pontos pontes onde o tempo se dobra e corremos como rio e até breve salu
MEU NOME É UM CAMINHO

Este é um momento muito especial para nós, a primeira etapa da pesquisa que iniciamos em 2023 quando fomos aprovados na residência Arte do Amanhã, no Museu do Amanhã no RJ.
Ele nasce da vontade de trabalharmos juntes numa investigação de memórias e mitologias trans, misturando nossas trajetórias artísticas. Embaralhando poemas e dança, palavras e brincadeira. Estamos abrindo um espaço para que Tempo, “o verdadeiro grande alquimista” que gera todo movimento e transformação, possa brincar.
É um convite, também, a sentirem em si a brincadeira da transformação - força contínua que move a vida. Um convite para ser criança.

Tudo transiciona
só permanece o que transiciona as estrelas e a escuridão a geografia e o microscópico o dna (espiral) e o mar (travessia)Dentro de cada célula existe a lembrança de todos os nomes possíveis, de todas as formas que já tivemos e que teremos. Dentro de cada célula existe uma pequena parcela de nossa primeira casa, uma porção aquosa e salgada, similar ao mar.
Dentro de cada célula, a transformação acontece, e é poderoso como brincar. Enquanto tentam queimar nosso presente e futuro¹, lembramos que a memória é água, e carregamos ela em todo nosso corpo.
DIANA SALU e FRANCISCO RIO
curadoria LUA NÃ KIXELÔ CAVALCANTE
Abertura 16 de setembro de 2024, segunda, 19h n’ A Pilastra
* Texto convite para a exposição, escrito em Agosto de 2024 e revisado
___
¹2024 foi um ano em que sentimos muito fortemente a emergência climática e seus efeitos no Brasil. Quando da abertura da exposição, o DF estava tomado por espessas fumaças em uma sequência de incêndios criminosos que se espalharam pelo Brasil. Em meio a este cenário, construímos nosso espelho d’água, dançamos nossa dança de origem e futuro em águas transcestrais.



Comentários