- 14 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de out. de 2025
Criar o impossível
por Ernesto Nunes

Fiquei bastante emocionado quando soube que estaria em Brasília na mesma época que a exposição “meu nome é um caminho” Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei na cidade. Vim o voo lendo “A destruição da Palestina é a destruição do planeta” um livro sucinto, forte, que provoca a pensar como essas coisas estão tramadas, ligadas. Ando descrente do mundo, de mudanças, me sentindo seco a despeito da alta umidade do ar em Curitiba. Dias de chuvas agradáveis e ainda assim acordava como se tivesse fumaça e morte na garganta. Acho que levo o cerrado dentro de mim.
Saí do aeroporto direto para exposição. Direto ao olho d 'água. Precisava.
“Alegria, te encontro mais pra frente” escrito logo na entrada. Respirei melhor.
A exposição toda me soou como uma espécie de enigma, um feitiço de dobrar o tempo e, apesar dos destroços, inventar infâncias inimagináveis, inventar alegria.
Senti que tinha ebó para as crianças palestinas ali na exposição. Tive a sensação de outras línguas, cheguei a procurar textos que não estivessem em português (mas também não em línguas hegemônicas), talvez uma língua ainda não dita. Achei! no som do vídeo que era uma das peças ali expostas. Quis dançar (que edição, sonorização e fotografia!). Nome como caminho pressupõe línguas inventáveis.
Os textos selecionados, expostos junto à alguns objetos, pareciam criar um caminho de narrativas sobre dissidência e invenções, convocar à autoria da nossa própria trajetória. Tive a sensação que os objetos foram escolhidos cuidadosamente para compor com o texto que estava perto.

Cada objeto tinha um som e um cheiro. Alguns não quiseram ser tocados, me disseram “estou exausto, só me deixe aqui”, eu entendi. Respeitei. O mundo tá exausto, assim como as coisas e as gentes.
Outros objetos, em especial fotos e quadros, pareciam uma pista, diziam muito, mas não dava pra entender. Algumas magias só existem em segredo.
Definiria a exposição como um lugar de rezo, onde é preciso ir muitas vezes para construir a fé. Acho que é isso, um convite a ter fé.



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