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Lua Nã Kixelô Cavalcante

Aprendiz Griô com formação em Fotografia e Pedagogia e especialização em Gestão de Museus e Inovação, atuo na interseção entre arte, educação, deficiência e ancestralidade. Como corpo-político-pedagógico, trabalho para transformar instituições em espaços de escuta ativa, onde saberes orais dialogam com tecnologias atuais. 

 

Minha trajetória integra criação artística, arte educação, curadoria educativa e desenvolvimento de metodologias acessíveis.

curadoria

peço a bença das crianças para brincar nesse quintal.

 

quantos nomes cabem em um corpo?

por quanto tempo um corpo carrega um nome?

quais caminhos os nomes oferecem para os corpos?

 

Diana e Francisco Rio carregam as infâncias impregnadas em suas peles, emanam o tecido epitelial do Tempo que se desprende, enquanto exala suor, calor, dor, carvão, saliva de chiclete, sangue de joelho ralado, risada, saudade e cerol, enquanto se penduram em galho de Moringa.

 

nesse trânsito de renascência, confundem-se as caras, as caretas, os narizes, as bocas, os pés, os Ibejis, os brinquedos e os nomes. 

nesse percurso, forma-se uma dança debaixo d'água, onde tudo parece virar infinito e não se sabe mais onde é começo, fim, começo, tecido e carne. 

 

Diana e Francisco Rio embaralham as memórias da Criança, convocando a Brincadeira para assumir o lugar de mitocôndria, dando as ordens de se produzir energia para o corpo que respira, pulsa, nada e vibra.

corpo esse que anda pisando no chão buscando os vestígios do que já foi, do que quer ser, do que é, dos objetos que perdeu e dos nomes que carrega em suas ancestralidades trans-desoxirribonucleícas.

saudamos Mestre Nego Bispo, certa vez ele disse que a primeira coisa que um adestrador faz é mudar o nome do ser que deseja adestrar, no intento de quebrar suas identidades.

pois bem, Mestre, recuperamos e reinventamos nossos nomes, então.

e o faremos sempre que tentarem nos quebrar.

 

o ponto é: Diana e Francisco nos lembram que somos inquebráveis.

somos porque algo nos faz lembrar os caminhos.

somos porque carregamos olhos cheios d'água dentro das cabeças abissais-abismais.

somos porque nosso DNA guarda memórias de todas as eras.

somos porque é possível transformar galeria de arte em quintal.

somos porque recebemos nossos nomes através de sonhos e então,

os reivindicamos.

 

Diana e Francisco nos convidam a brincar com criança e tempo

e com todo mistério que se guarda em cada um dos dois-dois.

somos inquebráveis porque brincamos de sê-lo.

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