top of page

abertura

Fotos: Julla Salustiano

Meu nome é um caminho é um encontro entre a arte contemporânea trans/mídia e brincadeiras populares, em uma relação dialógica e inventiva com o que veio antes, o que está por vir e o que pode ser.

“A brincadeira me renomeou, porque foi através dela que vi várias origens, que pela prática da invenção enquanto se guarnece um pulso do que não podemos dar início, colocou em minhas mãos a responsabilidade de nominar e transver o mundo, a história, as palavras, os nomes, a contradição” – Diz Francisco.

Nesse acolher e destruir o tempo, há nomes impronunciáveis e a Roda que se abre nesse quintal lança a pergunta: conseguimos imaginar, ouvir o som da primeira gargalhada no mundo?

 

O Mateu, figura tradicional de nossos velhos quintais brasileiros, pode nos levar até lá, onde corporificamos a primeira gargalhada, onde podemos mais imaginar do que repetir.

“Por essa fenda, me chamo Francisco Rio. Essa pesquisa é uma prática do corpo, de um tempo longo que se pode contar e que não se pode contar, referenciada na terra em confluência com a ancestralidade. Sem dúvida alguma, a brincadeira me trouxe até aqui. Como vestígio transcestral meu nome inaugura um novo corpo coletivo que continua a brincar, transformado, bagunçando o tempo em si, criando a mim, em fricção entre tempo geológico e tempo histórico, onde consigo acessar a primeira gargalhada e sentir o lugar onde foi plantado o sonho”.

Na abertura, o quintal ficou enfeitado, us mestres chamados pra comungar da memória de nossos corpos, a dissidência com alegria, recebendo a bença pro caminho do brincar. Tivemos a presença especial de mestra Ni de Souza (CE), mestre Zé do Pife (DF/PE) e Maria das Alembranças (DF), figura encantada contadora de histórias do Cerrado, uma vovó que se sentou para olhar as crianças brincando.

eu sou um rio grande

e o meu nome desde que nasci

está desenhado no mundo

eu aceitei dentro de mim

a voz de muitas mães

meu nome é saudade

das estrelas

carranca velha

saudando a morte

menino d'água

beijando a vida

encerramento

Fotos: Julla Salustiano

Encerramento - Perflor: Sibilantes

 

imagina chegar

imagina nascer

você lembra?

lembra a dúvida?

a dádiva?

a diva: palavra

 

primeiro se diz:

não 

então começa a sibilar o som

sssss

sssssiiiiii

sssssiiiiiiiimmmm

a chegada

 

somos como o som

nós somos

assim mesmo no plural

 

-

 

já pensei que o corpo da palavra era a voz

caminho divertido pensar um corpo imaterial

mas a verdade é que a palavra muda de corpo a todo tempo

palavra pode ter corpo de tinta e tecido,

de papel, onda radiofônica, 

de choque elétrico ou sinal de fumaça

pode ter corpo de relevo e de desenho

como também corpo de batida e de beijo

de gesto

e claro, sim, corpo de voz

nao é muito diferente da gente

ouça

a palavra transita

como eu 

como nós

 

- Diana Salu e Pétala Conceitinho se encontram, poesia e música, dois corpos. dois corpos não são só dois corpos. Diana e Pétala se encontram, suas línguas são danças. são plantas, são som, são sibilantes.

bottom of page